Sanatório Jabaquara

De 1932, o estabelecimento foi criado para atender doenças mentais, encerrando as atividades na década 80.
Instituição

Sanatório Jabaquara

Ficha Técnica
Nomes: Sociedade Médica Sanatório Jabaquara (1934-1939)
Sociedade Médica Sanatório Jabaquara Ltda (1939-198?)

Data de Fundação: 1934
Filiação ao SINDHOSP: 23 de setembro de 1940
Fundadores: Orestes Rossetto,Oswaldo Lange, Pedro Filizola (médicos)Nicolau Filizola Oswaldo Filizola (engenheiros)Aurélio Filizola (industrial)
Categoria: Hospital para tratamento de “moléstias” do sistema nervoso
Natureza: Lucrativa

Endereços: Avenida Jabaquara, 333  (atual 1681) até 1940

Avenida Araci, 401 – Jabaquara – SP, até meados de 1980

Anúncio do Sanatório Jabaquara em Revista da área Médico-Social, 1937. Fonte
(Mott, Sanglard, 2011)

Histórico

Pouco conseguimos ampliar a história do Sanatório Jabaquara para além do que a historiadora Maria Lucia Mott já havia publicado, em 2011, no livro sobre história do patrimônio arquitetônico de saúde de São Paulo. Toda a documentação do Sanatório está desaparecida.

Segundo a autora, o Sanatório teve origem em 1932, com a Casa de Saúde de Oscar Homem de Melo, que havia reformado um casarão na Avenida Jabaquara (antigo nº 333, atual 1681), para abrir um estabelecimento voltado para hospitalização de doentes mentais.

Sem notícias do funcionamento da Casa de Saúde, logo em seguida, no mesmo ano, os irmãos Mario (1903-1933) e Pedro Uzzo instalaram no local uma casa de saúde com a mesma finalidade. Mario Uzzo, então diretor clínico, foi assassinado no início de 1933 e o médico Orestes Rossetto, que já trabalhava no estabelecimento, assumiu a direção.

Ainda em 1933, a Casa de Saúde foi vendida para Orestes e Mario Rossetto, que, depois de novas reformas, inauguraram, em janeiro de 1934, o Sanatório Jabaquara. O Sanatório possuía 44 leitos destinados a pensionistas (clientela pagante), e contava com um clínico geral, um psiquiatra neurocirurgião, três enfermeiros e duas enfermeiras.

Divulgava em periódicos de saúde as comodidades da instituição: quartos amplos, arejados, espaço com jardins e terraços. Instalado “em um lugar aprazível, com os melhores clima e altitude da capital, e destinava-se ao tratamento de moléstias nervosas e mentais, toxicomanias, alcoolismo, morfinomania, epilepsia, entre outras”. Cinco anos depois, em 1939, o médico Oswaldo Lange associou-se aos irmãos Rosseto, constituindo a Sociedade Médica Sanatório Jabaquara Ltda. Com isso, é iniciada a construção de um novo edifício projetado “nos moldes da moderna Neuro-Psiquiatria”

Já instalado em novo endereço, o Sanatório recebeu a visita de alunos da Faculdade de Medicina da USP e foi assim descrito em relatório publicado na Revista de Medicina:


“Tudo foi disposto para facilitar o serviço e par dar aos doentes o máximo de conforto sem prejuízo de sua segurança. Eliminou-se o aspecto de presídio conservando-se todos os de proteção e vigilância. O hospital é dotado de amplos pateos, varanda de estar, sala de jogos, modernas instalações sanitárias, rede de agua quente em todas as dependências com sistema central de aquecimento. É ainda servido por redes de telefones internos, aparelhos de sinalização, sistema de relógios sincronizados, radio com altifalantes convenientemente localizados.”

 

O novo Sanatório Jabaquara foi inaugurado em 8 de fevereiro de 1941 na antiga Avenida Araci, n. 401, atual Avenida Indianópolis, n. 3.096, em um terro de 10.000 m2 de extensão. O edifício possuía três pavimentos, com 1.530 m2 e cinco seções – três masculinas e duas femininas – divididas em quartos coletivos, individuais e apartamentos. O corpo central acolhia a administração, a residência dos médicos e serviços diversos (clínica odontológica, sala de curativos, farmácia, barbearia, cozinha e lavanderia).

É importante destacar que a direção da instituição estava sob a responsabilidade de dois professores da Faculdade de Medicina da USP. Na Clínica Médica, o professor Orestes Rossetto e na Clínica Neurológica o professor livre-docente nessa especialidade, Oswaldo Lange.

Ambos utilizavam o Sanatório como laboratório de pesquisas e é possível encontrar na revista “Arquivos de Neuro-Psquiatria” vários estudos de caso de pacientes internos em hospitais psiquiátricos de São Paulo, incluindo pacientes do Sanatório Jabaquara. A Revista teve início em 1943 e se mantém até hoje.

O médico Oswaldo Lange se destacou pelos estudos a respeito da aplicação clínica do exame do líquido cefalorraquidiano (LCR), descreveu a Síndrome Liquórica da Neurocisticercose e foi editor da Revista Paulista de Medicina entre os anos de 1947 a 1955 (Begliomini, 2018).

Segundo Mott (2011), o Sanatório possuía 110 leitos, em 1958, sendo o segundo hospital privado especializado em psiquiatria da capital em número de leitos e em 1973, tinha capacidade para 180 leitos. Naquele período, a maioria das pessoas internadas era conveniada com o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps), havia poucos clientes particulares. O Sanatório encerrou suas atividades nos 1980.

Referências bibliográficas

BEGLIOMINI, Hélio https://www.academiamedicinasaopaulo.org.br/biografias/106/BIOGRAFIA-OSWALDO-LANGE.pdf, acessado em 27/09/2018.

MOTT, Maria Lucia Mott & SANGALARD, Gisele (orgs.). História da Saúde em São Paulo: instituições e patrimônio arquitetônico (1808-1958). Barueri – SP: Manole Editora, 2011.

Visita ao Sanatório Jabaquara. Revista de Medicina, v. 25, n. 87. São Paulo : USP, 1941, p. 75.

Galeria de Imagens

Sanatório Jabaquara

Instituições

 

ATHUS – Associação de Atenção Humanitária à Saúde

Hospital Edmundo Vasconcelos

Hospital Samaritano de São Paulo

Hospital Santa Catarina

Hospital Santa Paula

Hospital Santa Rita

Hospital Santa Virgínia

Hospital São Lucas

Hospital Vera Cruz

Instituto Paulista

Laboratório Fleury

Laboratório Leão de Moura

Maternidade de São Paulo

Policlin

Sanatório Jabaquara

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