O Projeto

Reunimos e divulgamos histórias sobre a saúde no Estado de São Paulo. Aqui você encontra informações sobre trajetórias institucionais e pessoais, edifícios, objetos, documentos e a situação dos acervos do Patrimônio Cultural da Saúde no Estado.

apresentação

Memória Saúde

O Projeto Memória Saúde articula os dois conceitos, visibiliza a história da saúde no Estado de São Paulo, principalmente a partir da Primeira República, e pretende ser um lugar, ainda que virtual, de reunião, divulgação de informações e de interação com pessoas e instituições sobre detalhes e curiosidades dessa história.

A ideia surgiu na comemoração dos 80 anos do Sindhosp – Sindicato dos hospitais, clínicas e laboratórios particulares de São Paulo e pretende reunir informações decorrentes de pesquisas, histórias institucionais e depoimentos sobre como as pessoas vivenciaram os problemas, soluções e as transformações da área da saúde no Estado.

Com o Memória Saúde, o Sindhosp constrói uma ação de preservação e de divulgação da área da saúde, da sua própria trajetória institucional e dos seus parceiros e afiliados.

É um espaço aberto à contribuições, dinâmico e em constante alimentação.

Usufrua e participe conosco deste projeto.

Josiane Roza de Oliveira, Doutora em História da ciência e da saúde pela Fiocruz, historiadora responsável pela coordenação das pesquisas e pela articulação do conteúdo do site Memória Saúde, fala sobre o projeto e seu poder de transformação.

Supervisoras da Enfermagem do Hospital Samaritano, 1915. Acervo Associação Hospital Samaritano

Conceitos

Memória: Pode ser entendida como um mecanismo seletivo de registro e retenção de conhecimentos e experiências, evocadas e reelaboradas por meio de imagens e representações. É pela memória que possuímos o sentido histórico de pertencimento coletivo e de identidade pessoal. Pelo aprendizado adquirimos memórias que nos permitem caminhar, pensar, amar, imaginar, criar.

A memória é tanto individual como coletiva, constitui-se de maneira interligada, seleciona e interpreta o passado a partir do presente. Desta forma, a memória não é apenas um repositório em que se inscrevem experiências imutáveis, ela é dinâmica, fluida, passível de construção e reconstrução a partir dos seus registros materiais ou imateriais.

As impressões resguardadas e mesmo o seu processo de produção é suscetível a diferentes usos e manipulações através dos tempos. Entretanto, não é possível ter um entendimento do presente sem as referências da memória, sejam elas lembranças, testemunhos, objetos, documentos. Falamos em referências da memória por seu caráter seletivo e pela importância do descarte responsável tanto nos processos de preservação dos registros materiais quanto na reconstrução das memórias orais pessoais ou coletivas.

Um dos conceitos mais bem associados aos registros de memória material ou imaterial é o de “Patrimônio Cultural”. Patrimônio cultural são os bens tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação e a memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Nele se incluem, conforme o artigo 216 da Constituição de 1988, as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Seu reconhecimento se dá no âmbito governamental, por meio da atuação dos diversos órgãos de preservação nos três níveis do poder público e pela atuação da ação direta da sociedade civil, que pode se organizar para preservar e difundir o patrimônio cultural.

Algumas das formas de preservação da memória da saúde em São Paulo desenvolvidas neste projeto foram: entrevistas audiovisuais, divulgação da história e acervos de instituições de saúde e pesquisas em arquivos históricos.

As memórias coletivas dão suporte identitário para grupos sociais, funcionam assegurando coesão e solidariedade e são constantemente reavivadas. Já a memória nacional é da ordem da ideologia, intelectualmente formulada, procura unificar e integrar uma população heterogênea, com memórias múltiplas em torno de uma identidade unificadora e apaziguadora de conflitos e interesses.

Os diferentes tipos de memória – individual, coletiva, social e nacional – constituem-se de maneira intrincada na experiência dos sujeitos, influenciando-se mutuamente, podendo ser espontâneas ou sofrer processo de manipulação e silenciamento.

Portanto, quando destacamos a palavra “memória” no projeto, reconhecemos que estaremos caminhando em um terreno movediço, colocando luz em alguns processos de constituição da história da saúde no Estado de São Paulo, e por certo, ocultando outros. Mas temos a convicção de que as memórias que emergem com o projeto contribuem para a compreensão da história e, assim, ampliam as possibilidades de participação das pessoas nas decisões sobre o futuro da saúde construídas no presente.

Quando convidamos o público para participar do projeto não é, necessariamente, para preencher lacunas, mas para enriquecer essa história produzida coletivamente.

Saúde: Atualmente o entendimento sobre saúde procura dar conta do acúmulo de conhecimento desenvolvido na área, ressaltando a sua complexidade e a necessidade de levar em consideração que saúde é a capacidade individual e coletiva de enfrentamento das dificuldades impostas pelo meio, tanto em sua dimensão biológica quanto social, em diferentes níveis de organização da vida: molecular; celular, individual, do grupo social, da sociedade global.

O conceito de saúde durante muito tempo esteve centrado na ideia de “ausência de doença”, com base nas mudanças morfológicas, orgânicas e estruturais do corpo doente, constituindo o modelo biomédico. Esse entendimento se estabeleceu com o desenvolvimento da clínica moderna, da anatomia patológica, do hospital como o lugar do médico, a classificação dos doentes de acordo com os sintomas e com o registro sistemático de informações dos pacientes. As doenças passaram a ser acompanhadas estatisticamente e o hospital se transformou em espaço de produção de conhecimento e de ensino para médicos aprendizes.

Um marco importante para a ampliação do conceito de saúde foi a criação da Organização Mundial de Saúde (OMS),  em 1948, agência subordinada à Organização das Nações Unidas. No seu documento constituidor, o conceito de saúde apareceu como “um completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Esse conceito, embora importante, foi considerado abrangente demais devido à dificuldade e relatividade do entendimento do que seria efetivamente “um completo estado de bem-estar” que não apresentava instrumentos de intervenção e de mensuração a respeito da melhoria da condição de saúde das pessoas.

Para o contexto brasileiro, os debates e as questões mobilizadas pelo Movimento Sanitarista, crescentes nos anos de 1970 e 1980 mesmo no período da ditadura militar, resultaram na VIII Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, quando se afirmou o entendimento de que saúde é um fenômeno complexo resultante das condições de alimentação, habitação, educação e acesso aos serviços de assistência. Esse entendimento redimensionou o conceito de saúde de maneira a chamar a atenção sobre a diferenciação do processo saúde-doença em decorrência das desigualdades sociais. Assim, obteve-se o entendimento de que a saúde não pode ser reduzida à anatomopatologia e à exclusiva responsabilidade dos profissionais de saúde.

As diretrizes da VIII Conferência de Saúde foram incorporadas na Constituição de 1988, com a defesa de um novo e único sistema de saúde que garantisse a universalidade, integralidade, equidade, descentralização, regionalização e a participação social. A constituição de 1988 traz o seguinte artigo:

“A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.”

Esse entendimento incorpora os determinantes sociais da saúde e da doença mas, como no conceito da OMS, devido a sua amplitude, acabava por se tornar pouco operativo, inibindo ações efetivas, remetendo a responsabilidade pela saúde ao estilo de vida das pessoas doentes, além de esvaziar as referências biológicas e psíquicas da doença.

Atualmente, o entendimento sobre saúde procura dar conta do acúmulo de conhecimento desenvolvido na área, ressaltando a sua complexidade e a necessidade de levar em consideração que saúde é a capacidade individual e coletiva de enfrentamento das dificuldades impostas pelo meio, tanto em sua dimensão biológica quanto social, em diferentes níveis de organização da vida: molecular, celular, individual, do grupo social, da sociedade global.

Essa integração busca incorporar também uma abordagem ecossistêmica da saúde, desenvolvida nos anos de 1970, em que o desenvolvimento humano e a qualidade de vida ganharam relevância. Assim, para a compreensão da saúde são considerados, além das situações de risco “tradicionais”, os riscos da vida “moderna”, tais como o cultivo de monocultura, agrotóxicos, poluição do ar, mudanças climáticas globais, manejo inadequado de fontes energéticas etc.

Com isso, o lugar – espaço físico – tornou-se de extrema importância para a identificação das condições de saúde e seus determinantes culturais, sociais e ambientais, incluindo ambiente de trabalho, serviços de saúde, educação e as redes comunitárias.

Referências Bibliográficas

  1. BATISTELLA. C. Abordagens contemporâneas do conceito de saúde. In: Fonseca, AF (org.) O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro. EPSJV, Fiocruz, 2007.
  2. BRASIL. Comissão Nacional dos Determinantes Sociais da Saúde – CNDSS. Determinantes Sociais da Saúde ou Por que alguns grupos da população são mais saudáveis que outros? Rio de Janeiro: Fiocruz, 2006.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. VIII Conferência Nacional de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 1986. (Anais)
  4. BRASIL. Constituição Federal da República. Brasília: Governo Federal, 1988.
  5. CZERESNIA, D. & FREITAS, C. M. de. (orgs.). Promoção da Saúde: conceitos, reflexões e tendências. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003.
  6. CANGUILHEM, G. A saúde: conceito vulgar e questão filosófica. In Escritos sobre a Medicina. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
  7. CANGUILHEM, G. O normal e o patológico. Rio de Janeiro. Forense Universitária, 2006.
  8. CAPONI, S. A saúde como abertura ao risco. In CZERSNIA, D. & FREITAS, C. M. de (orgs.) Promoção da saúde: conceitos, reflexões e tendências. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003.
  9. FOUCAULT, M. O nascimento da clínica. Rio de Janeiro: Graal, 1980.

comitê memória saúde

Luiz Fernando Ferrari Neto
Presidente em Exercício – SINDHOSP

José Carlos Barbério
Presidente – IEPAS

Marcelo Gratão
CEO – FEHOESP/SINDHOSP/IEPAS

Nivia Conceição
Departamento Administrativo – FEHOESP

Marizilda Angioni
Gestão de Pessoas – FEHOESP

Ana Paula Barbulho
Departamento de Comunicação – SINDHOSP

Aline Moura
Departamento de Comunicação – SINDHOSP

Renata Xavier Nunes
Departamento de Marketing – SINDHOSP

Flavia Veloso da Silva
Grupo de Iniciativas Setoriais – FEHOESP

Monica Oseki
Departamento de Cursos e Eventos – IEPAS

Gleice Francção Sasaki
Departamento de Cursos e Eventos – IEPAS

Diretoria Sindhosp

Luiz Fernando Ferrari Neto
Presidente em exercício

Yussif Ali Mere Junior
Presidente licenciado

George Schahin
2º Vice-Presidente

Cyro Alves de Britto Filho
1º Secretário

Antonio Carlos de Carvalho
2º Secretário

Ricardo Nescimento Teixeira Mendes
1º Tesoureiro

Gilberto Maida Mellace Junior
2º Tesoureiro

Equipe de Comunicação

Aline Moura
Coordenadora

Jornalistas
Eleni Trindade
Fabiane de Sá
Rebeca Salgado
Ricardo Balego

Fotografia
Leandro Godoi

Marketing
Renata Xavier Nunes
Verônica de Paiva Fratucci

Equipe de Pesquisa

Josiane Roza de Oliveira
Coordenadora

Historiadores
Felipe Bueno Crispim
Mariana de Carvalho

 

Idealização

Apoio

Redes Sociais

      

      

Informações e local

ENDEREÇO
Rua 24 de Maio, 208 - 9º e 13º andares
República - São Paulo - SP