1938

1938

A fundação do SINDHOSP

Ata de fundação do SINDHOSP, 12 de novembro de 1938

O Sindicato dos Estabelecimentos Hospitalares de São Paulo foi fundado em 12 de fevereiro de 1938, à rua José Bonifácio, 282, conforme se lê na nota publicada na grande imprensa do período.

Realizou-se, hontem, às 15 horas, na sede da Federação dos Sindicatos Patronaes de São Paulo, à rua José Bonifácio, 282, a assembleia de instalação do Sindicato Patronal dos Estabelecimentos Hospitalares de São Paulo. A reunião foi presidida pelo sr. Arlindo de Camargo Pacheco, do Sanatório Pinel e secretariada pelos srs. Jair Ribeiro da Silva, do Instituto Paulista, e dr. James Edmundo Mauger, do Hospital Samaritano. Aprovados os estatutos e constituída a nova entidade profissional, procedeu-se a eleição da diretoria e do conselho fiscal, que ficaram assim constituídas: presidente Jayr Ribeiro da Silva, do Instituto Paulista; vice-presidente Dr Vieira Marcondes, da Maternidade São Paulo; secretario Dr. James Edmundo Mauger, do Hospital Samaritano; tesoureiro Dr. Gilberto Meirelles, da Casa de Saúde Santa Rita. Conselho Fiscal: Dr. Mário Rosseto, do Sanatório Jabaquara, Dr. F Godoy Moreira, do Instituto Godoy Moreira e Dr. Carlos  Brunetti do Hospital do Braz. O Syndicato tem sua sede instalada na rua José Bonifácio, 282, para onde deve ser dirigida qualquer correspondência.  (Correio Paulistano, 13 de fevereiro de 1938)

Quando da sua criação, o SINDHOSP filiou-se à Federação do Comércio do Estado de São Paulo, atual Fecomércio, órgão que então congregava diversas entidades patronais em todo o Estado. Frente às novas condições político jurídicas estabelecidas com o Estado Novo, era necessária a reformulação das estratégias de ação do empresariado paulista. É deste contexto a fundação do SINDHOSP, que se apresentou como uma entidade representativa dos interesses dos empresários da saúde em São Paulo, oferecendo novos horizontes de atuação para o setor.

Jair Ribeiro da Silva

Jair Ribeiro da Silva, primeiro presidente

Nesse cenário, Jair Ribeiro da Silva, primeiro presidente do SINDHOSP, figurava como um articulador político dos interesses das principais instituições hospitalares existentes na cidade de São Paulo, ligadas diretamente à manutenção dos lucros do setor e pela garantia de suas atividades numa perspectiva liberal.

Em depoimento ao Jornal do SINDHOSP, por ocasião do cinquentenário da instituição, em 1988, Ribeiro da Silva pontuou a ausência de uma entidade responsável pela organização do patronato paulista da área da saúde:

 

Eu sempre me preocupei com a situação dos hospitais, naquela época, sem apoio e sem representação legal enquanto os empregados, organizados, ganhavam força dia a dia, resolvi então falar com o professor e doutor Antônio Carlos Pacheco e Silva, famoso médico de doenças nervosas, propondo a criação de um sindicato patronal, quando ele me disse que aceitava ajudar na fundação da entidade, se eu quisesse ser o presidente. (Jornal SINDHOSP, Edição Histórica, 1988, p.9)

 

Jair Ribeiro da Silva era natural de Oliveira, Minas Gerais, economista e com uma formação incompleta em medicina. Iniciou seu contato com o setor médico hospitalar em 1918, ao exercer a função de auxiliar de escritório no Instituto Paulista, hospital no qual se tornaria presidente, em 1925. Ao dirigir o Instituto, que à época encontrava-se entre as principais instituições da saúde paulistas, Jair Ribeiro da Silva integrou uma rede de relações proeminente, como pode-se perceber em seu depoimento ao citar o apoio oferecido por Pacheco e Silva para a fundação do Sindicato.

Antônio Carlos Pacheco e Silva (1889-1988), médico psiquiatra paulista, era proprietário do Sanatório Pinel, casa de saúde localizada no bairro de Pirituba, na zona oeste de São Paulo. Eleito por unanimidade de votos dos sindicatos paulistas, deputado à Assembleia Nacional Constituinte em 1933 como representante dos empregadores, teve seu mandato prorrogado até 1935, quando assumiu a cadeira de clínica psiquiátrica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Ainda na entrevista de 1988 ao Jornal do SINDHOSP, Jair Ribeiro da Silva destacava o cenário tributário dos hospitais paulistas de então:

 

(…) minha grande preocupação centrava-se na remuneração dos hospitais, que cobravam menos que os hotéis e tinham uma despesa muito maior. Eu propus ao governo que autorizasse a cobrança de uma taxa de 10% dos pacientes para equilibrar a situação das entidades de saúde. Com a autorização concedida as coisas melhoraram.

 

A oficialização das atividades do Sindicato se daria um ano depois de sua criação, quando em 10 de janeiro de 1939 o então ministro do trabalho, Waldemar Falcão, assinou a carta de reconhecimento da criação da entidade:

 

O ministro Waldemar Falcão assignou a carta de reconhecimento do Syndicato Patronal dos Estabelecimentos Hospitalares de São Paulo. (Correio Paulistano, 10 de janeiro de 1939, p.3)

 

Convocatórias de reunião do Sindicato publicadas em jornais do período informam que, ao menos até o ano de 1939, sua sede funcionou na rua José Bonifácio, 282, nas imediações da praça da Sé, citada como sede da Federação do Sindicatos Patronais do Estado de São Paulo:

 

Syndicato Patronal dos estabelecimentos hospitalares de S. Paulo

Realizou-se hoje às 15 horas, a rua José Bonifácio, 282, uma reunião extraordinária do Syndicato Patronal dos Estabelecimentos Hospitalares do Estado de São Paulo, convocada para tratar de assunptos de relevante interesse para a classe.

A essa reunião deverão comparecer os representantes dos seguintes hospitaes: Instituto Paulista, Casa de Saúde Santa Rita, Sanatório Jabaquara, Maternidade de S. Paulo, Hospital de Caridade do Braz. Hospital Samaritano, Instituto Godoy Moreira, Hospital Alemão, Sanatório Santa Catharina, Sanatório Pinel e outros que foram especialmente convidados (Correio Paulistano, quarta-feira, 15 de março de 1939).

 

Em julho daquele ano, Getúlio Vargas promulgou o Decreto Lei 1402, disciplinando a atuação dos sindicatos patronais e laborais em todo território nacional. O decreto permitia a existência de apenas um sindicato por categoria, condicionando seu funcionamento à reunião de no mínimo 2/3 da categoria. A partir dessa medida, o Sindicato dos Estabelecimentos Hospitalares passou a integrar as clínicas e casas de saúde, assumindo assim a nomenclatura de Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde no Estado de São Paulo – SINDHOSP.

Notícia do Jornal “O Correio Paulistano”, de 13 de fevereiro de 1938, sobre a fundação do SINDHOSP

Nota do Jornal “O Correio Paulistano” sobre a reunião do SINDHOSP

Notícia do jornal “O Correio Paulistano” sobre o reconhecimento do SINDHOSP pelo ministro do trabalho, Waldemar Falcão

*Crédito das imagens: Acervo SINDHOSP; Biblioteca Nacional, Memória BN. Correio Paulistano, 13 de fevereiro de 1938 -pág.4; Biblioteca Nacional, Memória BN. Correio Paulistano, 15 de março de 1939 pág. 3; Biblioteca Nacional, Memória BN Correio Paulistano, 10 de janeiro de 1939 pág. 3

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