O hospital como espaço de atuação da medicina e como ambiente de tratamento e cura de pessoas doentes é uma ideia relativamente recente. Até o finm do século XIX, os hospitais eram ambientes para cuidado, abrigo e asilo da pessoa com enfermidade e, em sua maioria, da população pobre, que não tinha como pagar pelo atendimento em suas casas. O atendimento em hospitais estava mais relacionado à caridade do que com os preceitos científicos. Tanto que os principais responsáveis por esses lugares eram as irmandades e outros grupos religiosos.

O hospital era visto como o lugar do risco de contágio, isolamento, proscrição. Era o lugar entendido como aquele em que as pessoas iam para morrer.

Somente na virada do século XIX para o século XX, com o desenvolvimento da medicina científica, e a sua conjugação com o hospital, é que se dá a transformação do equipamento de saúde que conhecemos hoje. O desenvolvimento das pesquisas, o melhor conhecimento sobre os agentes etiológicos, as formas de transmissão das doenças, os procedimentos de diagnóstico e as terapêuticas permitiram a especialização e a divisão das doenças em diferentes categorias, possibilitando ao hospital o oferecimento de serviços variados de saúde à população.

As ciências biológicas no século XIX transformaram os paradigmas que explicavam a saúde e a doença, mudando também o hospital com a introdução de antissepsia, do laboratório, do saber médico e da enfermagem que se consolidava como uma profissão. Além disso, principalmente no início do século, o número de equipamentos que passam a fazer parte do aparato hospitalar, configuraram a grande transformação na forma de ver e na forma de o hospital se inserir na sociedade.