Era na Hospedaria que se operava uma espécie de sistema – muito semelhante ao vigente em outras hospedarias na América – de recepção, triagem e encaminhamento de imigrantes e migrantes para atividades agrícolas em todo o Estado de São Paulo (e também para indústrias, a partir do final dos anos de 1940).

Devido a superlotação, situação de deslocamento, dificuldade com a língua, dieta diferenciada, e riscos de doenças, havia muito descontentamento e irritação na Hospedaria, causando revoltas e agressões mútuas entre funcionários e imigrantes e mesmo entre imigrantes de diferentes etnias.

Sair da Hospedaria o quanto antes era o que eles mais queriam.

Outro agravante na situação de reféns vivida pelos imigrantes na Hospedaria era o fato de que procurava-se garantir que o imigrante não tivesse qualquer contato com o mundo exterior, existindo um forte esquema de vigilância, com patrulhamento do edifício e controle de entradas e saídas, o que gerava muitos constrangimentos.

Na Hospedaria se definiam os rumos de cada família. Era o lugar da negociação, onde os imigrantes eram abordados pelos interessados. Essas negociações poderiam demorar alguns dias. Somente depois de o contrato ser fechado é que os imigrantes recebiam autorização para deixar a Hospedaria rumo à fazenda contratante.