Lazareto da Luz, de 1802; Hospital dos Alienados, de 1852; Hospital São Joaquim (Beneficência Portuguesa), de 1876; e a Inspetoria de Higiene, de 1884, são as primeiras instituições de saúde do Estado de São Paulo, e e a sua criação traça um paralelo com o desenvolvimento da medicina, da organização da sociedade, de seus anseios, valores e objetivos.

Lazareto da Luz, de 1802

O Hospital era destinado aos portadores de hanseníase, situava-se entre os rios Tamanduateí e Tietê. O terreno foi doado pelo governador à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia que, com donativos construiu uma casa precária para recolher os doentes da cidade. Era mais propriamente um abrigo que um hospital, mantido pela Santa Casa, que tinha poucos recursos para essa finalidade. O edifício era dividido em duas alas separadas por um muro, uma destinada aos homens a outra às mulheres.

No final do século XIX houve protestos contra a presença do hospital no bairro da Luz que intensificava seu povoamento e também contra a precariedade do atendimento aos doentes. Em 1897 o governo do Estado desapropriou o terreno do Lazareto e os pacientes foram transferidos para os leprosários do interior.

Hospício dos Alienados, de 1852

Pessoas com problemas de saúde mental perambulavam pelas ruas e eram confinadas e acorrentadas em celas das cadeias públicas. O governo provincial decidiu por construir uma edificação reservada ao recebimento dos doentes – O Asilo Provisório dos Alienados, em terreno da Rua São João, esquina da Rua Aurora, em 1852, onde teria funcionado até 1864, quando foi transferido para as novas instalações em um casarão na Várzea do Carmo, conhecida como Chácara do Fonseca, no início da Ladeira da Tabatingüera.

O Hospital dos Alienados funcionava de maneira precária, com superlotação, poucos funcionários e sem atendimento de um médico alienista. A instituição recebia, além de alienados, indigentes e criminosos, entre eles alguns clientes pagantes e escravos internados pelos senhores. Manteve-se no edifício da antiga Rua do Hospício até 1903, sendo os doentes transferidos para Colônia do Juquery, longe dos limites da cidade de São Paulo, inaugurada em 1898.

O edifício ainda existe, está sob a administração da Polícia do Estado de São Paulo, é tombado pelo Condephaat desde 1881, mas está abandonado.

Hospital São Joaquim – Beneficência Portuguesa, 1876

O Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo é considerado umas das primeiras associações de auxílio mútuo da capital. Sua criação é atribuída ao caixeiro viajante português Luís Semeão Ferreira Viana que junto com Joaquim Rodrigues Salazar, divulgou a ideia e reuniu outros colaboradores portugueses dos mais variados ramos de atividade. Em 2 de outubro de 1859, foi criada a Sociedade Portuguesa de Beneficência, com a finalidade de auxiliar as pessoas, em diferentes situações sociais, com emprego, alimentos, auxílio aos enfermos, sepultamentos etc.

Com a demanda pelo atendimento à saúde sempre crescente decidiram pela construção de um Hospital próprio. Em 28 de maio de 1873 foi lançada a pedra fundamental do Hospital, na Rua Brigadeiro Tobias, n. 343, e, em 20 de agosto de 1876 o hospital foi inaugurado. O edifício seguiu o projeto doado pelo arquiteto português Manuel Gonçalves da Silva Cantarino.

O Hospital São Joaquim, após 10 anos de sua instalação passou a atender, além dos associados, pessoas carentes da cidade e do interior, clientes particulares, sendo reconhecido socialmente. Em 1886, o hospital foi visitado pelo imperador do Brasil, d. Pedro II. Na virada do século XX, o hospital havia obtido grande prestígio e, em 1901, o rei de Portugal, dom Carlos, outorgou o título de “Real e Benemérita” à Sociedade Portuguesa de Beneficência em São Paulo. Em 1908 estabeleceu uma escola de enfermagem, com formação em dois anos. Durante 1913 e 1914, o Hospital passou por uma grande reforma e ampliação de sua área física e pela modernização dos seus equipamentos.

É o primeiro Hospital construído exclusivamente pela associação de imigrantes.

Em 1936, o Hospital adquiriu um terreno na Rua Maestro Cardim, no bairro do Paraíso, para onde se transferiu com a inauguração de um novo edifício em 1957.

O Antigo Hospital foi vendido e demolido.

Inspetoria de Higiene, 1884

Uma das primeiras instituições de Saúde Pública em São Paulo foi a Inspetoria de Higiene subordinada à Inspetoria Geral de Higiene, com sede no Rio de Janeiro. O médico Marcos de Oliveira Arruda, foi o inspetor nomeado em 1884. Cargo exercido sem vencimentos e no próprio consultório do médico. Em 1886, a Inspetoria foi instalada em prédio próprio, e passou a contar com dois médicos e delegados de higiene nas cidades de Santos e Campinas, mas permanecia sem orçamento, pessoal e prestígio.