A história do Hospital Umberto Primo está diretamente relacionada à imigração italiana em São Paulo e às sociedades de socorro-mútuo, muito comuns entre imigrantes, que surgiram no final do Império, início da República, para suprir necessidades assistencias não contempladas pelo Estado. A Società di Beneficenza in San Paolo, foi criada em 1878 e tinha como umas das principais finalidades a assistência à saúde e o estabelecimento de um Hospital. Sem condições de financeiras suficientes para o empreendimento logo na sua constituição, a Sociedade fundou uma enfermaria, na Bela Vista, bairro com muitos imigrantes italianos.

Em 1892, a Sociedade conseguiu construir um pequeno Hospital que teve vida curta, devido à crescente demanda, tornou-se rapidamente insuficiente e foi vendido ao governo do Estado em 1899. Mas já nesse período a Sociedade obteve recursos do governo italiano e também do brasileiro para atuar no atendimento à saúde dos imigrantes. Com os recursos, a Sociedade comprou um terreno nas proximidades da Avenida Paulista e inaugurou o novo Hospital, com 50 leitos, em 1904.

O Hospital atendia não apenas os imigrantes italianos mas, indiscriminadamente, a todos os que a ele acorriam, recebendo um grande número de indigentes e pacientes de baixa renda, que não pagavam pelo atendimento. Essa iniciativa acabou por gerar dificuldades financeiras ao Hospital. Em 1915 o Hospital contou com a doação do Comendador Francesco Matarazzo de uma Casa de Saúde, que passou a integrar o Complexo Hospitalar. A Casa de Saúde funcionava como uma clínica particular e tinha como uma das intenções arrecadar recursos para a manutenção do Hospital. A Sociedade organizava quermesses e festivais beneficentes para arrecadar recursos e aumentar o número de leitos e recebia doações, sendo a Família Matarazzo a principal benemérita. No decorrer dos anos aumentou sua estrutura e diversificou o número de especialidades atendidas. Durante a Segunda Guerra o Hospital sofreu intervenção do Governo Federal, por se tratar de uma instituição italiana, com grande parte do seu corpo clínico formado por médicos italianos. A intervenção teve fim com a nacionalização da Sociedade em 1941.

Em 1956 a família Matarazzo assumiu o controle do Hospital, alterando o nome do estabelecimento para Sociedade de Beneficência Hospital Matarazzo, continuando sua expansão durante as décadas seguintes, até o declínio econômico da Família Matarazzo, no início dos anos de 1980. Neste momento, em 1984, a Sociedade de Beneficência Hospital Matarazzo pretendeu demolir o complexo hospitalar, mas foi impedida pela abertura de um processo de tombamento do bem pelo Condephaat, que aconteceu por meio da Resolução SC n. 29/86. Em seguida tentou vender o Complexo, mas não conseguiu comprador. O Hospital seguiu em crise financeira, sendo descredenciado pelo Inamps. O Governo Estadual, numa tentativa de manter o Hospital, decidiu participar da gestão junto com os funcionários e a comunidade italiana, criando a Fundação Hospital Ítalo-brasileiro Umberto I.

No entanto, a Fundação não obteve êxito na tentativa de sanar as dívidas do Hospital e retomar o seu pleno funcionamento. Em 1993 o Hospital, construído por meio do associativismo dos imigrantes italianos, fechou as suas portas definitivamente. Foi adquirido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) e, em 2011 pelo o grupo francês Allard. O grupo francês pretende revitalizar o Complexo, empreendendo um projeto de restauro e definição de novos usos, com o acompanhamento do Condephaat. O projeto de reutilização do Complexo, nominado “cidade Matarazzo” tem previsão de entrega das primeiras intervenções para o ano de 2018. A proposta é transformar o espaço em um centro comercial, com hotel, restaurantes e um núcleo criativo