As Hospedarias fizeram parte de um sistema de recepção de imigrantes que funcionava de maneira similar em todo o continente americano, nos principais países receptores: EUA, Canadá, Argentina e, no Brasil, com a Hospedaria da Ilha das Flores no Rio de Janeiro e a Hospedaria do Brás, em São Paulo.

Antes da Hospedaria do Brás, inaugurada em 1888, houve outras hospedarias menores em São Paulo que recebiam os imigrantes e também migrantes de outros lugares do país. A Hospedaria do Bom Retiro foi a que teve vida mais longa, de 1881 a 1887. Com capacidade para 500 hóspedes, atendia com relativo sucesso o fluxo de imigrantes do período.

Assim como os navios, as hospedarias, pela reunião de pessoas de diferentes procedências e condições de saúde no mesmo espaço, eram lugares de risco de transmissão de doenças. Em 1887, por exemplo, a Hospedaria do Bom Retiro ficou impossibilitada de receber imigrantes por conta das epidemias de varíola e de difteria, fazendo a Hospedaria do Brás começar a receber os viajantes mesmo antes de ter sido inaugurada.

A Hospedaria do Brás é expressão do aumento do contingente populacional previsto para atender a demanda por mão de obra nas fazendas de café. Entre os anos de 1888 e 1978 passaram por lá cerca de 3.500.000 pessoas, destes, 1.900.000 estrangeiros.

Imigração para a província de São Paulo (1880-1900)

Gonçalves, Paulo Cesar. Mercadores de braços. Riqueza e acumulação na organização da emigração europeia para o Novo Mundo. Tese de doutorado em História. Programa de Pós-Graduação em História Econômica da USP. São Paulo, 2008.