O majestoso edifício da Hospedaria ocupava uma grande área na Rua Visconde de Parnaíba, nº 236, ao lado da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, que trazia os imigrantes e levava o café para o Porto de Santos. Entre a Estação e a Hospedaria foi construída uma pequena estação para o desembarque dos passageiros vindos de Santos.

Após o desembarque dos navios no Porto de Santos, os imigrantes seguiam de trem até a Hospedaria do Brás. Ao chegaram, eram recepcionados por funcionários e encaminhados diretamente à área, logo à entrada das instalações, destinada ao banho e à desinfecção de roupas.

O edifício contava com 31 banheiros, com água quente e fria e estufa para desinfecção. Essa área estava dividida em três compartimentos: um para o imigrante despir-se e deixar a roupa para desinfecção na estufa, outro para tomar banho e o último para vestir-se com a roupa deixada no primeiro compartimento e já desinfetada. A roupa era retirada por um corredor independente, sem contato com os imigrantes que ainda não tivessem passado pelo banho e pela desinfecção.

Após a desinfecção, iniciava-se a segunda etapa, o controle médico, efetuado ainda nas dependências da hospedaria, num edifício separado. Uma equipe composta por um médico, enfermeiros e funcionários do serviço sanitário verificava o estado dos imigrantes e vacinava todos contra a varíola.

No andar superior do prédio havia três dormitórios para recolher os doentes, sendo os casos mais graves removidos para a Santa Casa de Misericórdia ou para o Hospital de Isolamento.

Após esse procedimento, os imigrantes eram direcionados para o interior do prédio principal, ao salão de chamadas. Na presença do diretor da hospedaria, procedia-se à chamada e registro dos imigrantes.

Nome, idade, sexo, estado civil, nacionalidade, região de procedência, profissão, religião, grau de instrução, composição familiar e lugar de destino (região do estado, nome da fazenda e seu proprietário, ou indústria) eram as informações necessárias para a identificação no livro de registro de entrada no país.

Os imigrantes podiam ficar na Hospedaria por até uma semana, recebendo um “cartão de rancho” com direito a três refeições diárias. As refeições eram fornecidas por um serviço externo, contratado, via edital, pelo Governo.

No edital para “Fornecimento de rações diárias aos immigrantes recolhidos às hospedarias da Capital e de Santos”, publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, de 25 de dezembro de 1891, consta:

“As rações ordinárias dos immigrantes recolhidos à hospedaria da capital serão: inteiras, para os adultos maiores de quatorze annos; meias, para os de três a quatorze annos; Os menores de três anos receberão ração gratuita na proporção de um quarto de ração”.
(…) De manhã café, assucar, pão ou bolacha de bordo. Almoço e jantar (gêneros variáveis): Primeira espécie, feijão ou arroz, carne fresca, toucinho, pão e verduras; Segunda espécie, feijão ou arroz, carne secca, toucinho e pão; Terceira espécie, feijão ou arroz, bacalhau, batatas, azeite, vinagre e pão”.
(…) O leite para as creanças que delle necessitarem, o vinho do Porto ou outro qualquer de identica qualidade para os doentes não serão incluídos no preço da ração ordinária e constarão de fornecimento especial pago separadamente.”

Não fica claro no edital se esses itens eram pagos pelos imigrantes, ou se apenas era outro tipo de fornecimento custeado pelo Estado.

As queixas dos imigrantes aos representantes dos consulados eram frequentes. Os imigrantes deixaram registradas muitas reclamações sobre as acomodações relativas a superlotação e precariedade de condições. Não havia camas para todos, obrigando muitos a dormir no chão, em esteiras. Eram poucos os banheiros e havia uma única torneira no pátio interno para beber água. Também se queixavam da falta de higiene, má qualidade da alimentação e ineficiência dos serviços médicos.

Idosos e crianças eram os que mais sofriam, pois já saíam subnutridos da Itália, chegavam desgastados da longa viagem e as condições de acomodação e alimentação deixavam a desejar. Não dispomos dos números exatos, mas há relatos de muitas mortes de crianças na Hospedaria.

Nas cartas trocadas com os parentes que permaneceram na Europa, ficava evidente o sentimento de terem sido enganados pelas propagandas veiculadas pelos fazendeiros paulistas.