Desde 1881, o governo provincial vinha subsidiando a vinda de imigrantes com o pagamento de passagens e o fornecimento de hospedagem, com direito a três refeições diárias por um período de até sete dias, a partir dos quais os imigrantes deveriam ser realocados nas fazendas ou núcleos coloniais.

Com a Sociedade Promotora de Imigração essa atividade, no caso de São Paulo, passa a ser prioritariamente responsabilidade dessa instituição. Criada em 02 de julho de 1886, com recursos destinados pelo Estado, tinha como objetivo promover a imigração estrangeira em larga escala para o Estado. Atuava amparada por legislação do Império e da Província que estabelecia o sistema de imigração por contrato com reembolso da passagem ao imigrante ou à família de imigrantes.

Seus principais objetivos eram: criar uma corrente imigratória permanente; fazer propaganda do Brasil na Europa; facilitar os meios de transporte e colocação dos imigrantes.

A Sociedade Promotora era amparada por contrato com Governo de São Paulo e do Brasil, e, com isso, concedia à agências e companhias particulares o serviço de introdução dos imigrantes, recebendo subvenções para executar os seus objetivos.

A preferência era o estímulo à imigração de famílias inteiras, avaliadas como mais (bem) adaptáveis às necessidades produtivas das fazendas de café- preferência, também, de boa parte dos que se deslocavam. Era a oportunidade de recomeçarem juntos em outra terra, tornando o desterro menos doloroso.

A Sociedade Promotora de Imigração, com seus sócios – grandes produtores de café, era a principal interessada em agenciar desde a localização, contratação, transporte e colocação dos imigrantes nas fazendas do estado.

A Sociedade alcançou facilmente seus objetivos quando assumiu a administração da Hospedaria do Brás, em 1888, pois tinha acesso livre aos imigrantes para suas negociações contratuais. Na concessão da Hospedaria para a Sociedade Promotora, o governo comprometia-se a fornecer subvenção anual de 20 contos, pagos em prestações mensais, e continuava responsável pelas despesas com alimentação, medicamentos, água, luz, móveis, utensílios e manutenção do edifício.

A criação da Sociedade e a construção da Hospedaria de Imigrantes do Brás possibilitou o impulso de que os fazendeiros precisavam para promover a imigração estrangeira massiva. Já essa associação Hospedaria-Sociedade Promotora dificultava aos imigrantes a livre-negociação por melhores colocações, restringindo a possibilidade de livre-circulação.

Tudo foi organizado para garantir o controle da mão-de-obra e o perfil do imigrante previamente estabelecido pela Sociedade Promotora. Os imigrantes que vinham por conta própria, por exemplo, só teriam reembolso da passagem se estivessem inseridos em grupos familiares de agricultores e se confirmassem com algum documento da localidade de origem a profissão de agricultor.

Para que o imigrante fosse aceito na Hospedaria era necessário que constasse em listas nominativas, discriminando idade, parentesco familiar e profissão do chefe de família com visto do cônsul brasileiro, que certificava que os imigrantes não teriam pago as passagens de navio.

Os solteiros e os não-agricultores eram recusados e enviados de volta, com as despesas a cargo dos introdutores. Os motivos da rejeição poderiam ser: “por serem artistas”, “por não constituírem família”, “por serem inválidos” ou porque “já estiveram no Brasil”.

A Sociedade Promotora de Imigração funcionou até 1896, e outras formas de organização da imigração foram instituídas, tendo em vista a reorganização do Estado com a República.