A construção da Hospedaria do Brás, foi autorizada pela Lei Provincial no. 56, de 21 de março de 1885 e teve início em 1886.  Em 1888  essa nova Hospedaria, foi inaugurada . Passaram por ela, entre os anos de 1893 e 1930, mais de 60% dos estrangeiros que imigraram para São Paulo. Foi planejada para abrigar quatro mil pessoas, mas chegou a receber dez mil imigrantes instalados precariamente.

O arquiteto escolhido para desenhar a Hospedaria foi o alsaciano Matheus Häussler (autor do projeto do atual Palácio dos Campos Elíseos). Alfredo Moreira Pinto descreve a Hospedaria em 1900:

“Ocupa um vasto prédio todo de tijolos com dois pavimentos e constituído por três corpos salientes, sendo dois nas extremidades e um no centro, e dois reentrantes. O segundo pavimento tem 34 janelas de frente e o primeiro 10 janelas e 22 portas, além de dous alpendres. Possui 10 grandes salas, onde se alojam os imigrantes, armazém da alfândega, para revistar as bagagens, um armazém para despacho das bagagens, e uma enfermaria separada do edifício. Na parte inferior funciona a Diretoria. (…) Ao lado do edifício há um posto policial para garantir a tranquilidade do estabelecimento. Em frente a ele para os bonds, linha Imigração. Precede o edifício um grande pátio arborizado.”

Matheus Häussler projetou a Hospedaria como um conjunto organizado em planta na forma de um “E” deitado, obedecendo a uma rigorosa simetria na fachada nobre, com tijolo à vista, considerada uma das primeiras grandes obras com esse tipo de acabamento.

A Hospedaria era constituída pelos seguintes setores: dormitórios no andar superior, cozinha, refeitório, enfermaria, um pequeno hospital, agência de correios, lavanderia, depósito de bagagens, dispensário médico, casa de câmbio e a Agência Oficial de Colocação, para o encontro entre trabalhadores imigrantes e os fazendeiros ou seus representantes.