O navio com um surto de cólera a bordo permaneceu por 6 dias nessa situação de suspensão no mar, até iniciar sua viagem de volta no dia 30 de agosto de 1893.

Os imigrantes eram vítimas, acompanhavam o adoecimento e a morte dos seus companheiros de viagem e, muitas vezes, de seus familiares.

Viajando na terceira classe de navios superlotados, com péssimas acomodações, falta de higiene, alimentos malconservados, os imigrantes conviviam com o descaso das companhias de navegação.

Toda essa situação era cotidianamente narrada nos jornais, que alimentavam, em certa medida, o pânico da população costeira que, vez ou outra, se deparava com cadáveres depositados nas areias da praia pelo mar.

Aos passageiros a bordo, restou suportar mais um mês em alto-mar em um navio com surto epidêmico de cólera-morbo, com aumento evidente do número de mortes, com suas liberdades civis desrespeitadas. A justificativa das autoridades para uma ação que poderia ser considerada como desumana era a de que, devido aos riscos que a situação apresentava aos outros imigrantes e à população brasileira, nada mais poderia ser feito.

Esse fato causou graves crises diplomáticas com o Governo italiano e mesmo a opinião pública no Brasil não viu com bons olhos medidas tão radicais. O modelo de quarentena estava recebendo muitas críticas em meio às desconfianças da sua eficácia na contenção das epidemias, já que a cólera teria penetrado as barreiras, atingindo a população. Além de atrapalhar os interesses comerciais, a própria ideia de contágio estava sendo questionada.

A verdade é que, mesmo com os então recentes avanços da microbiologia, sabia-se pouco sobre as causas das doenças mais temidas neste contexto e os meios para evitá-las, provocando grandes debates científicos e políticos.

Foto: Grupo de imigrantes
Acervo Arquivo Edgard Leuenroth – Unicamp

Fonte: Memória Saúde