O vapor Carlo R. saiu de Nápoles no dia 29 de julho, com 1.400 imigrantes a bordo, chegou ao porto com notificação de infectado, foi proibido de atracar no Porto do Rio de Janeiro, sendo direcionado ao Lazareto de Ilha Grande, enseada do Abraão.

O Carlo R. teve 109 mortos durante a viagem, sendo impedido de desembarcar seus passageiros devido ao grande risco de contaminação de outros imigrantes que chegavam. Os corpos eram lançados ao mar por receio de contaminação, e as famílias não conseguiam ritualizar o momento de passagem dos seus entes queridos.

O comandante do navio recebeu a ordem de fundear a cerca de cinco quilômetros da costa. O vapor ficou ancorado, impedido de se comunicar com terra e, em seguida, foi intimado a se retirar dos mares brasileiros.

O aspecto doentio dos passageiros e da tripulação assustou as autoridades sanitárias, que determinaram o isolamento do navio a uma distância considerada segura, sendo vigiado por um médico em um cruzador.

Decidido que os passageiros não poderiam desembarcar, foram providenciados mantimentos para o navio: 100 toneladas de carvão, 15 bois vivos, farinha de trigo, legumes, frutas, desinfetante, medicamentos e “láudano, um preparado de ópio com efeito sedativo”.

O medo de contágio era tanto que os mantimentos foram levados por um saveiro e, após a retirada dos mesmos pelos tripulantes, o saveiro foi incinerado.

Foto: Lazareto da Ilha Grande Pavilhão 3. In: Os serviços de saúde pública: esboço histórico e legislação – 1808-1907. Diretoria Geral de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Imprensa Oficial, 1909.

Fonte: Memória Saúde