Com consolidação das novas medidas de prevenção de doenças que assolavam os portos, baseadas nas descobertas sobre a etiologia das doenças, o ambiente de chegada e recepção dos imigrantes torna-se mais estável.

A descoberta de que o cólera poderia ser evitado com o tratamento da água destinada ao consumo, a peste com o combate ao rato e a febre amarela com o combate ao mosquito, mantendo a vigilância sobre os viajantes e tripulantes provenientes de portos infectados, alterou significativamente a relação difícil estabelecida entre a vigilância sanitária e os imigrantes recém chegados ao país, assim como melhorou as transações comerciais com diferentes países.

Ainda havia constrangimentos, principalmente para os passageiros da terceira classe, onde viajava a maioria dos imigrantes. Os inspetores sanitários tinham que assistir ao embarque de passageiros nos portos infectados por peste, por exemplo, impedindo sua admissão a bordo. Quando julgado conveniente, os inspetores poderiam exigir a desinfecção das bagagens desses passageiros antes do embarque. Caso fosse identificado algum passageiro doente, já a bordo do navio, ele deveria ser isolado, seus objetos pessoais seriam desinfectados e seria aplicada a sorovacinação em todos os passageiros e tripulantes que consentissem.

As novas tecnologias e regulamentos da vigilância sanitária dos portos, baseados no desenvolvimento científico, aplicadas a partir de 1904, evitavam as controversas práticas da quarentena e do “torna-viagem”, utilizados até então para a prevenção de epidemias a partir dos portos.

Mas mantinha-se a concepção de contágio que recomentava o isolamento, a desinfecção, a vigilância, resultado das desconfianças produzidas pelo processo imigratório.

A travessia era só uma parte da viagem, cuja história é cheia de dor e sofrimento. Em terra firme foram outras as aventuras e experiências que marcaram a vida dos imigrantes e a sua relação com a saúde no novo continente.

Foto: Imigrantes desembarcando na Estação de trem
Acervo Edgard Leuenroth – Unicamp

Fonte: Memória Saúde