Além da quarentena de navios e das pessoas, uma das medidas mais utilizadas pela vigilância sanitária brasileira para conter as epidemias no momento da chegada dos navios de imigrantes era a desinfecção.

O Porto do Rio de Janeiro e o Porto de Santos tinham estratégias diferentes de recepção aos estrangeiros. No Rio, havia uma estrutura para abordagem dos navios ainda antes do desembarque dos passageiros, e procedimentos que previam a quarentena e o isolamento dos doentes imediatamente após o desembarque.

Em Santos, os navios notificados com doentes a bordo eram encaminhados para o ancoradouro da Ilha das Flores, no Rio de Janeiro. Quando o navio era liberado para o desembarque, os imigrantes e as mercadorias passavam pela Inspetoria de Imigração, para a conferência dos documentos e avalição médico-sanitária da saúde dos viajantes. Depois estes eram conduzidos, por transporte ferroviário, para a Hospedaria dos Imigrantes do Brás, na cidade de São Paulo. Outra viagem que começava, da estação ferroviária do Porto de Santos para a estação ferroviária do Brás.

As listas de bordo de navios com imigrantes para o Porto de Santos datam de 1888; antes disso são poucas as informações sobre a forma de funcionamento da inspeção sanitária neste Porto. Sabe-se que nunca existiu hospedaria em funcionamento em Santos, apenas alguns alojamentos provisórios, que acolhiam os imigrantes até que conseguissem embarcar no trem para São Paulo.

À época, o principal porto brasileiro era o do Rio de Janeiro, estruturado com a Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores – localizada no bairro de Neves, em São Gonçalo –, o Lazareto da Ilha Grande e o Hospital Marítimo de Jurujuba.

Foto: Estufas do Lazareto da Ilha Grande. Os serviços de saúde pública: esboço histórico e legislação – 1808-1907. Diretoria Geral de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Imprensa Oficial, 1909.
Acervo Biblioteca do Instituto Butantan.

Fonte: Memória Saúde