O foco da desinfecção eram os passageiros da terceira classe.

No Lazareto da Ilha Grande, a desinfecção dos passageiros era feita com vapores de enxofre. As bagagens passavam por estufas previamente aquecidas, e os objetos eram lá depositados, permanecendo por cerca de quinze minutos.

Os passageiros contaminados eram encaminhados para um hospital de isolamento e os demais respeitavam um período de quarentena, que poderia ser de 10 dias para suspeita de febre amarela; 8 dias para suspeita de cólera-morbo e 20 dias para a peste bubônica.

Ao chegar no Lazareto da Ilha Grande, os passageiros tinham que pisar em tapetes molhados com uma solução de desinfetante de cloreto de mercúrio. Depois eram encaminhados para o lavatório, levando sabonete, escova de unha e balde para as águas usadas. As roupas eram esfregadas com germicidas. Os passageiros suspeitos de falta de asseio eram despidos e submetidos a desinfecção mais rigorosa. Após essas etapas, havia a pulverização dos passageiros com ácido fênico, e só então recebiam uma carteira de saúde na qual se comprovava a desinfecção.

Todo o programa sanitário brasileiro do final do século XIX estava baseado em um entendimento da transmissão das doenças por meio de germes e miasmas, relacionados com as sujeiras dos ambientes, os cheiros putrefatos da decomposição animal e vegetal, os alagamentos pantanosos – o que explica o uso intensivo de desinfetantes.

Charge. Antes e depois da desinfecção. Jornal Gazeta de Notícias, 06 de janeiro de 1895. Acervo Digital da Biblioteca Nacional

Fonte: Memória Saúde