A novidade com a descoberta dos vetores como transmissores das principais doenças que preocupavam os Portos, a febre amarela e a peste, foi o aparelho de Clayton, que passou a ser utilizado na desinfecção de navios, mercadorias e bagagens.

O aparelho prometia liquidar qualquer tipo de vetor: rato, pulga, mosquito e micróbios.

A partir de 1903, o Porto do Rio de Janeiro contava com uma barca de desinfecção, portando o aparelho de Clayton (gás sulfuroso seco), estufa, câmaras de formol – novidades da profilaxia internacional. Em seguida, o aparelho se tornou obrigatório em embarcações que viajassem por um período de mais de 48 horas.

Inaugurado em outubro de 1903, durante a epidemia de peste bubônica, o aparelho de gás de Clayton foi instalado em todos os navios que partiam da capital com destino aos demais portos brasileiros.

Os testes do equipamento, realizados na França, demonstraram a eficácia do gás sulfuroso seco no combate aos ratos, insetos, pulgas, percevejos, baratas e sobre as mercadorias mais delicadas, sendo considerado eficaz na desinfecção dos navios e objetos contaminados.

Com a sua utilização, as quarentenas foram praticamente abolidas. A quarentena era grande entrave comercial, pelos custos que apresentavam com o resguardo de pessoas, mercadorias e navios.

A partir de 1903, com Oswaldo Cruz à frente do Departamento Nacional de Saúde Pública, o sistema de vigilância sanitária foi redefinido e o foco das ações voltou-se para os vetores da febre amarela e da peste, e para a ênfase na vacinação contra a varíola.

A dinâmica nos portos com as novas orientações era: isolamento do doente, vacinação e vigilância sanitária dos passageiros saudáveis, que adquiriam o direito de livre locomoção desde que indicassem o endereço onde poderiam ser encontrados.

Foto: Barco de desinfecção com dois aparelhos Clayton. Os serviços de saúde pública: esboço histórico e legislação – 1808-1907. Diretoria Geral de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Imprensa Oficial, 1909.

Fonte: Memória Saúde