Não era simples atravessar o oceano. Nem emocionalmente, nem burocraticamente. A quantidade de documentos exigidos era significativa: passagens, passaporte, visto de entrada e saída dos portos de escala, certificado de vacinação, certificado de inspeção médica, certificado penal.

Com os riscos de morte pela disseminação de doenças em decorrência da aglomeração de pessoas, confinadas em um espaço restrito por um período de tempo relativamente longo, a vigilância sobre esses indivíduos aumentava a cada nova possibilidade de epidemia.

As notificações ao governo brasileiro sobre os Portos europeus com surtos epidêmicos chegavam ao país, provocando alterações na política imigratória, no embarque e na recepção dos passageiros, com vistas a evitar a propagação das doenças que poderiam comprometer os planos de desenvolvimento econômico baseado na mão de obra imigrante.

A partir desse momento, os projetos de futuro dos imigrantes ficavam à mercê da vigilância sanitária dos Portos. Viagens eram adiadas, navios e pessoas eram colocados em quarentenas e passavam por procedimentos de desinfecção, ou eram mandados de volta ao porto de origem.

Foto: “Embarque de suíços para o Brasil”, 1898. Acervo Museu da Imigração. São Paulo

Fonte: Memória da Saúde