Desidratados, rapidamente os viajantes perdiam massa muscular, ficavam com olhos fundos e com a cor da pele azulada, sofriam com cólicas abdominais, espasmos musculares violentos, a pele murchava, mãos e pés ficavam gelados, escurecidos e enrugados, causando pânico entre os demais.

Originária da Índia, também conhecida como o “mal de Ganges” ou “cólera asiática”, a cólera se espalhou pelo continente europeu e americano devido à intensificação das trocas comerciais.

As embarcações procedentes de portos com notificação da doença passavam por desinfecção dos navios e de todo tipo de material com os quais as tripulações tivessem tido contato, como alimentos, roupas e objetos.

No ano de 1893, o Governo brasileiro suspendeu a recepção de imigrantes saídos ou de passagem pelos portos da Itália, Espanha e França, além dos portos africanos do Mediterrâneo, que foram declarados infeccionados. A situação se normalizou após a contenção da epidemia, em 1894.

A cólera

A cólera foi uma grande ameaça à população presente nas embarcações que atravessavam o Atlântico.

A doença é causada pelo agente etiológico vibrião colérico (Vibrio cholerae), bactéria que provoca uma infecção no intestino e apresenta como sintomas a diarreia, vômito e câimbras nas pernas. A desidratação intensa devido à infecção pode levar à morte em questão de horas. Pode-se perder cerca de 20 litros de água em um único dia.

A infecção se espalha rapidamente com a ingestão de alimentos ou água contaminados pelas fezes ou vômitos de uma pessoa doente.

Isso acontece, principalmente, em áreas superlotadas, com acesso precário à água limpa, sem recolhimento adequado de lixo e higienização de banheiros.

Os navios de imigrantes foram lugares férteis para surtos epidêmicos da doença, causando expressivo número de mortos

Gravura In: John Maynard Woodworth. Cholera epidemic of 1873 in the United States. Washington Government Printing Office, 1875.

Fonte: Memória Saúde